Quando mudei de faculdade para cursar moda, fui carregando o medo de não conseguir fazer amigos. Para minha surpresa, logo no primeiro dia conheci uma menina super legal e fofa. Ela tinha uma facilidade incrível para conversar com as pessoas, e, por causa dela, acabei fazendo outros amigos também.
Mas então chegou o segundo período da faculdade. De repente, todos eles seguiram caminhos diferentes: um se transferiu para o período da noite, outro precisou trancar a faculdade, e os demais cursavam disciplinas de outro curso. Foi um dos piores períodos da minha vida acadêmica. Lembro de me sentir extremamente deprimida e sozinha.
Durante esse tempo, resolvi me inscrever em uma matéria do quinto período, Ferramentas Digitais para Moda, porque queria muito aprender sobre o tema. No entanto, foi justamente nesse período que percebi estar desenvolvendo uma fobia social irritante e debilitante. Eu evitava ao máximo cruzar por lugares movimentados: subia escadas intermináveis só para não passar pelo corredor onde as pessoas se reuniam, dava a volta pelo fundo da faculdade para entrar por um local quase deserto, mesmo que isso me atrasasse.
Tinha um medo irracional de ir para essa aula. Minhas aulas regulares eram pela manhã, e essa disciplina acontecia logo após o almoço, por volta da 1h da tarde. Eu ficava na praça de alimentação, sentada no canto mais escondido, esperando o horário. Muitas vezes, nem comia, com vergonha de ter que comprar algo. Quando dava a hora da aula, simplesmente não conseguia ir. Ficava a tarde toda sentada em um banco, lendo no celular, apenas esperando a hora de ir embora.
Na minha cabeça, tinha certeza absoluta de que não seria capaz de acompanhar a aula, que não aprenderia nada e acabaria humilhada na frente de todos aqueles alunos quase formados. Meus pensamentos eram uma constante tormenta. Sentada naquele banco, congelada, só conseguia sentir vontade de chorar pela minha incapacidade de enfrentar a situação.
Houve um dia, em especial, que ficou marcado. Eu só podia faltar mais duas vezes antes de ser reprovada na matéria. Sentada ali, naquele mesmo banco, enfrentei o dilema: “Pegar o trem e ir para casa ou ficar aqui esperando até o fim da tarde?” Foi então que, em um raro momento de clareza, tive um estalo. Me perguntei: “O que diabos eu estou fazendo? Vou perder a matéria, algo que eu realmente gosto, só porque não tenho coragem suficiente?”
Respirei fundo, juntei o pouco de força que tinha naquele “bom” dia, e decidi tentar mais uma vez. Fui para a aula, morrendo de medo. Para minha surpresa, fiz os exercícios que o professor passou, e, no final, ele elogiou meu trabalho, dizendo que tinha ficado muito bom.
A partir desse dia, nunca mais faltei a essa aula. Não foi apenas pelo elogio, mas porque eu provei para mim mesma, e para o meu medo irracional, que sim, eu era capaz. Eu não precisava ter tanto medo.
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