Perfeccionismo Não é uma Qualidade, Perfeccionismo é uma Prisão

 Quando eu tinha 17 anos e estava procurando um emprego, fui pesquisar no Google como me portar em uma entrevista e quais perguntas poderiam aparecer, com respostas prontas para dar. Naquela época, todos os sites diziam que, ao sermos perguntados sobre nossas qualidades e defeitos, o perfeccionismo era a resposta ideal. "Use o perfeccionismo como qualidade e defeito", recomendavam. "Diga que você é perfeccionista e que não para até que tudo esteja do jeito que tem que estar."

A resposta perfeita decorada, certo? Mas me diga: alguém já conseguiu um emprego realmente dizendo isso?

Acredito que o perfeccionismo tenha dois lados. O primeiro, claro, é aquele descrito no dicionário: uma pessoa que estabelece um padrão elevado para algo – trabalho, corpo, ou qualquer outra coisa – e não para até alcançá-lo. Mas será que algum dia realmente alcança? Será que essa pessoa consegue achar que o trabalho ficou bom o suficiente?

E então há o outro lado. Aqueles que têm um padrão elevado, mas desistem antes mesmo de tentar, porque sentem que nunca poderão alcançar nada daquilo. É aqui que eu me encaixo.

Minha vida toda tem sido uma sequência de: "Tive uma ideia", "Isso não vai dar certo", "Vou tentar". Então, tento por um dia e já desisto. É tanta pressão para que tudo seja perfeito. Essa pressão vem acompanhada de outros medos – o de ser julgada, o de errar. Percebi que a perfeição anda de mãos dadas com o medo.

Por que queremos tanto ser perfeitos? De onde vem isso? Logicamente, eu sei que a perfeição não existe. Mesmo assim, desisto de coisas por causa dela.

O perfeccionismo se tornou uma prisão onde tenho estado sentada por muito tempo, assistindo à minha vida passar diante dos meus olhos sem que eu faça nada. É cansativo, sabe? Sempre gostei de escrever. Tenho essas ideias que vão e voltam de tempos em tempos. Ideias que, eu sei, poderiam me fazer feliz. Mas tenho tanto medo de que elas não saiam como imagino.

Nem sempre as coisas vão ser como esperamos. Talvez isso seja o mais interessante. Mas como controlar esse sentimento? Como não deixar que o perfeccionismo nos torne reféns?

Sei que estou longe de me livrar dele. Mas escrever isso é o meu primeiro passo. Porque eu não aguento mais não viver minha vida.

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